quarta-feira, 3 de abril de 2013

Arte Espírita e sua Mercantilização

Arte Espírita e sua Mercantilização

                Nos últimos tempos, a arte espírita vem se expandindo e ganhando espaço por onde se vá, galgando valores para ser consagrada como valiosa ferramenta de divulgação do Espiritismo que é. Nesse passo, são crescentes as responsabilidades, os desafios e, consequentemente, os compromissos espirituais.
                Sendo arte, e com a arte espírita não poderia ser diferente, surgem inúmeras ofertas e oportunidades, vindas de operários da indústria musical de todas as classes. Agenciadores, promotores de eventos, empresários, estúdios e mais uma gama quase infinita dos ramos laborais que a arte pode abrigar.
                Entretanto, é necessária muita cautela!
                Desde muito cedo, iniciando através da arte literária (mediúnica ou não) os mais respeitados escritores espíritas atentam para o perigo que a mercantilização das obras autorais (espirituais ou não) representam para divulgação da Doutrina Espírita. Tal assunto é abordado das mais variadas formas e, em todas elas, a conclusão é a mesma: a arte espírita seja ela literária, cênica, musical ou qualquer outra forma, deve servir à caridade!
                Fora da caridade não há salvação! Eis o lema!
                Não estou aqui dizendo que o artista espírita deve arcar com os custos de suas produções, isso seria um absurdo, um contrassenso e um total desrespeito para com os milhares de compositores e autores espíritas que se empenham em divulgar a Doutrina Espírita. Logo, a receita que as produções espíritas obtiverem deve ser destinadas a manutenção e quitação dos gastos e produção e divulgação e nada além. O lucro pode e deve ser revertido à caridade!
                Nosso louvável Chico Xavier poderia ter sido milionário, mas em sua luminosa humildade abdicava de toda e qualquer autoria em suas publicações. Podemos agir como Chico e servir à caridade, à verdadeira divulgação da Doutrina Espírita ou adotar a mercantilização da arte supostamente espírita. Não podeis servir simultaneamente a Deus e a Mamon. (LUCAS, cap. XVI, v. 13.).

                Em nenhuma hipótese digo aqui que não existem músicos espíritas extremamente capacitados e profissionais ou que suas composições não devam ser registradas, mas sim, que o músico espírita, antes de qualquer coisa, deve possuir um emprego que não envolva o Espiritismo. O verdadeiro artista em nada será prejudicado, pois será capaz de produzir arte fora da temática espírita em igual proporção. Exemplos não faltam!
                O músico espírita não está impedido de ser músico profissional e viver de sua arte. Importante é trabalhar tanto quanto possível um limiar, uma separação de valores, onde a música com temática claramente espírita seja voltada à caridade e as demais funções ao fim financeiro que lhe cabem.
                Um artista espírita não pode ser tolhido de trabalhar com arte secular, peças teatrais, corais, grupos musicais, concertos e diversas outras circunstâncias. Diversos músicos espíritas, ora por divertimento e prazer, ora por labor, atuam em áreas da arte secular em projetos das mais variadas espécies e isso não pode ser confundido. Separemos o indivíduo entre o momento que ele é espírita artista e o momento que ele é artista espírita. São situações completamente diferentes.
                Por isso, em nenhuma hipótese digo aqui que os artistas devem abdicar de registrar suas produções, deixando-as desprotegidas e à mercê dos plagiadores de plantão, mas digo que o registro mais viável à arte que busca a caridade, em vez do lucro, é o da Fundação Biblioteca Nacional. O site é http://www.bn.br/portal/ ou, mais especificamente na música, http://www.bn.br/portal/?nu_pagina=28.

                Apenas nos cabe uma reflexão válida. Criar arte religiosa seja ela qual for sempre será mais fácil do que criar arte secular.
                Isso não é desmerecer a produção artística, é ser lógico. Na temática religiosa temos grandes fatores de inspiração, entre eles: grandes personagens da história, passagens bíblicas, fábulas e alegorias adotadas pela religião, além, é claro, de estar buscando atingir um público pelo sentimento, pela emotividade, pela fé. Enquanto isso, o artista secular precisa partir do nada, buscar inspiração em si mesmo e atingir seu público única e exclusivamente por sua qualidade técnica.
                A conclusão é lógica, queiramos nós, artistas espíritas aceitar o fato ou não.

                Portanto, termino essa mensagem com um chamado e uma reflexão. A beleza da Arte Espírita está na forma como ela é conduzida. De forma destemida, desbravadora, com amor como os primeiros cristãos, desafiando desafios e os limites das distâncias tais quais Paulos de Tarso da arte. De levar a arte aos corações e não aos cofres de nossos templos.
                Sejamos sempre puros, mantenhamos a Arte Espírita imaculada em sua essência! Continuemos o caminho iniciado pelo Mestre Jesus, que nunca pediu nada em troca de sua arte mais sublime (que é o amor), pelo nosso Chico (que nunca pediu nenhuma paga por seus livros), por Allan Kardec (que adotou pseudônimo para não ser associado a personalidade já conhecida da época e, por fim, à Leopoldo Machado, que foi nosso primeiro desbravador da arte espírita.
                Sejamos puros, lembremos sempre do lema “Fora da Caridade Não há Salvação”, não deturpemos o Espiritismo com sabor adocicado do mercantilismo, que tão cedo se transforma em fel. Não cedamos às tentações da autoelevação e do estrelado, pois o único guia é Jesus e o único artista do Universo é Deus. Nós devemos ser apenas operários, instrumentos afiados dessa grande melodia divina.

Com paz,
Gabriel.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Música na Casa Espírita

Presto hoje singela homenagem em forma de humor à Leopoldo Machado, possivelmente o primeiro espírita a levar a Doutrina e seu aos jovens. Por levar música às casas, dar o primeiro passo para o que hoje chamamos de Arte Espírita.

Fonte: Quadrinhos ALP, Artur Mendes.

domingo, 24 de março de 2013

Convite

Lidador de Jesus, contempla o campo  à espera...
Tudo é renovação na imensa gleba humana...
Agitadas e hostis em torva caravana
Fogem sombras do Mundo ao sol da Nova Era!...

Desfralda o próprio sonho à luz da alma sincera,
Aprimorando a fé na Vida Soberana,
E atendendo à extensão da paz que nos irmana,
Age, estuda, constrói, ampara, persevera!...

Liberta-te cumprindo o dever que te exalta,
Elevar-se a servir é a diretriz mais alta
De quem honra o progresso em trabalho fecundo...

Alteia-te no bem!... Abençoa e confia
E unidos em Jesus chegaremos um dia
À vitória do amor na redenção do Mundo!...

Livro: Estrelas no chão
Autor: Francisco Cândido Xavier
Espírito:  Amaral Ornellas
Editora: GEEM

Prece A Bezerra de Menezes


Nós te rogamos, pai de infinita bondade e justiça, as graças de Jesus Cristo, através de Bezerra de Menezes e suas legiões de companheiros. Que eles nos assistam, Senhor, consolando os aflitos, curando os que se tornarem merecedores, confortando aquelas que tiverem suas provas e expiações a passar, esclarecendo aos que desejarem conhecer e assistindo a todos quantos apelem para teu infinito amor. Jesus, divino portador da graça e da verdade, estende suas mãos dadivosas em socorro daqueles que te reconhecem como despenseiro fiel e prudente. Faze-o divino modelo, através de tuas ligações consoladoras, de teus santos espíritos, a fim de que a fé se eleve, a esperança aumente, a bondade se expanda e o amor triunfe sobre todas as coisas.
Bezerra de Menezes, apostolo do bem e da paz, amigo dos humildes e dos enfermos, movimenta as tuas falanges amigas em benefício d’aqueles que sofrem, sejam males físicos ou espirituais.
Santos espíritos, dignos obreiros do Senhor, derramai as graças e as curas sobre a humanidade sofredora, a fim de que as criaturas se tornem amigas da paz e do conhecimento. Da harmonia e do perdão, semeando pelo mundo os divinos exemplos de Jesus Cristo.

"Mas os cuidados deste mundo, os enganos das riquezas e as ambições doutras coisas, entrando, sufocam a palavra, que fica infrutífera." - Jesus (Mc, 4:19)

A árvore da fé viva não cresce no coração, miraculosamente. 
Qual acontece na vida comum, o Criador dá tudo, mas não prescinde do esforço da criatura.
Qualquer planta útil reclama especial atenção no desenvolvimento.
Indispensável cogitar-se do trabalho de proteção, auxílio e defesa. Estacadas, adubos, vigilância, todos os fatores de preservação devem ser postos em movimento, a fim de que o vegetal precioso atinja os fins a que se destina.
A conquista da crença edificante não é serviço de menos esforço.
A maioria das pessoas admite que a fé constitua milagrosa auréola doada a alguns espíritos privilegiados pelo favor divino.
Isso, contudo, é um equívoco de lamentáveis consequências.
A sublime virtude é construção do mundo interior, em cujo desdobramento cada aprendiz funciona como orientador, engenheiro e operário de si mesmo.
Não se faz possível a realização, quando excessivas ansiedades terrestres, de parceria com enganos e ambições inferiores, torturam o campo íntimo, à maneira de vermes e malfeitores, atacando a obra.
A lição do Evangelho é semente viva.
O coração humano é receptivo, tanto quanto a terra.
É imprescindível tratar a planta divina com desvelada ternura, instinto enérgico de defesa.
Há muitos perigos sutis contra ela, quais sejam os tóxicos dos maus livros, as opiniões ociosas, as discussões excitantes, o hábito de analisar os outros antes do auto-exame.
Ninguém pode, pois, em sã consciência, transferir, de modo integral, a vibração da fé ao espírito alheio, porque, realmente, isso é tarefa que compete a cada um.

Livro: Vinha de Luz
Autor: Francisco Cândido Xavier
Espírito: Emmanuel
Editora: FEB

domingo, 17 de março de 2013

Evangelizando


Queridos Companheiros de Seara,

Com muito carinho e amor, recebi deste blog a oportunidade de compartilhar um pouquinho da minha humilde experiência como trabalhadora desta maravilhosa tarefa de Evangelizar!

Sei o quanto este intercâmbio é importante para nós, obreiros de boa vontade, no que diz respeito à realização e desenvolvimento de nossas atividades ante os pequeninos. Por muitas vezes recorro à grande rede para buscar novas dicas, interpretações e dinâmicas para desenvolver os temas propostos nas aulas semanais de Evangelização.

Bem, para começar, vou falar um pouquinho sobre como trabalhei com as crianças do 1º ciclo da Evangelização (7 a 9 anos de idade) este ano as primeiras aulas propostas pelo planejamento anual, promovendo integração entre os evangelizandos e o quebra-gelo já habitual nesta fase do trabalho.

Trabalhar com crianças nesta faixa etária não é mole!! Eles exigem de nós muita dinâmica e vivência prática do tema abordado. Para atender ao programa e falar sobre A Casa Espírita e Terapêutica Espírita (Passe, Prece, Água Magnetizada), lancei mão de um recurso que dá muito certo com eles: um jogo de perguntas e respostas, em alguns momentos usando a mesma dinâmica do “passa ou repassa” e em outros, utilizando a dinâmica da “batata quente”, tudo sempre regado a muita música! As perguntas que utilizei, são fáceis de ser encontradas na internet, mas podem também ser elaboradas pelo próprio evangelizador, de acordo com cada turma ou faixa etária.

Deu muito certo, pois, além de serem duas atividades bem dinâmicas, trabalham com as crianças o raciocínio rápido, a atenção, o respeito ao colega, a paciência e o companheirismo, sem contar naquela disputa sadia que acaba surgindo entre eles pra ver quem acerta mais!
Isso tudo foi desenvolvido em duas aulas diferentes, uma sendo sequencia da outra, para dar tempo suficiente para eles compreenderem e assimilarem o conteúdo.

Para finalizar, usei um dado de brinquedo, confeccionado em tamanho maior, que tinha em cada face um “mimo” diferente: beijo, abraço apertado, aperto de mão, cheiro, etc. Em um pequeno potinho, coloquei o nome de cada um dos evangelizandos escrito em um papel muito bem dobradinho. Cada um dos pequenos rodou, um de cada vez, o dado que caiu em uma face qualquer. Em seguida, esse mesmo evangelizando tirou o nome de um colega no potinho e tinha que dar a esse colega o “mimo” que o dado mandou. Assim, todos foram beijados, abraçados, ganharam aperto de mão, cheiro.... foi muito divertido!

Bem, acho que é isso!

Espero que possa tê-los ajudado e contribuído de alguma forma!

Muitos beijos iluminados no coração de todos e cada um!

Flavinha

Corações Cevados


“Cevastes os vossos corações, como num dia de matança.” – (Tiago, 5:5.)

Pela prosperidade e aperfeiçoamento do mundo, trabalha o Sol, que é a suprema expressão da Divindade Vital no firmamento terrestre.
Colabora o verme na intimidade do solo, preparando ninho adequado às sementes.
Contribui a aragem, permutando o pólen das flores.
Esforça-se a água, incessantemente, entretendo a vida física e purificando-a.
Serve a árvore, florindo, frutificando e regenerando a atmosfera.
Coopera o animal, ajudando as realizações humanas, suando e morrendo para que haja vida normal no domínio da inteligência superior.
Indefectível lei de trabalho rege o Universo.
O movimento e a ordem, na constância dos benefícios, constituem-lhe as características essenciais.
Há, porém, milhões de pessoas que se sentem exoneradas da glória de servir.
Para semelhantes criaturas, em cujo cérebro a razão dorme embotada e vazia, trabalho significa degredo e humilhação, inferno e sofrimento. Perseguem as facilidades delituosas, com o mesmo instinto de novidade da mosca em busca de detritos. Conseguida a solução de ordem inferior que buscavam, circunscrevem as horas e as possibilidades ao desenfreado apego de si mesmas, imitando o poço de águas estagnadas que se envenena facilmente.
No fundo, são “corações cevados”, de acordo com a feliz expressão do apóstolo. Criam teias densas de ódio e egoísmo, indiferença e vaidade, orgulho e indolência sobre si próprios, e gravitam para baixo. Descendo, descendo, pelas pesadas vibrações a que se acolhem, rolam vagarosamente para o seio das vidas inferiores, onde é natural que encontrem a exigência de muitos, que se aproveitam deles, à maneira do homem comum que se vale dos animais gordos para a matança.

Livro: Fonte Viva
Autor: Francisco Cândido Xavier
Espírito: Emmanuel
Editora: FEB

quinta-feira, 14 de março de 2013

Grupo Pensamento e Vida - "Arte e Sensibilização"

Queridos amigos e amigas, convido com muito carinho para a apresentação do nosso Grupo Pensamento e Vida - Arte Espírita intitulada "Arte e Sensibilização" que ocorrerá no próximo dia 16 de março às 20h no Salão Norte da Urca no primeiro dia VII Semana Espírita de Poços de Caldas. Entrada Franca!

Dica do Blog SouL Jovem Espírita: Quem tiver a oportunidade de ir... VÁ! É uma oportunidade única e será excepcional. Está tudo sendo preparando com muito carinho e, é claro, trabalho e talento. Um evento desses tem o poder de iluminar não só a cidade de Poços de Caldas, mas toda a região, quiçá todo nosso país.

terça-feira, 12 de março de 2013

Convite ao Bem

“Mas, quando fores convidado, vai.” Jesus (Lucas, 14:10)

Em todas as épocas, o bem constitui a fonte divina, suscetível de fornecer-nos valores imortais.
O homem de reflexão terá observado que todo o período infantil é conjunto de apelos ao sublime manancial.
O convite sagrado é repetido, anos a fio. Vem através dos amorosos pais humanos, dos mentores escolares, da leitura salutar, do sentimento religioso, dos amigos comuns.
Entretanto, raras inteligências atingem a juventude, de atenção fixa no chamamento elevado.
Quase toda gente ouve as requisições da natureza inferior, olvidando deveres preciosos.
Os apelos, todavia, continuam...
Aqui, é um livro amigo, revelando a verdade em silêncio; ali, é um companheiro generoso que insiste em favor das realidades luminosas da vida...
A rebeldia, porém, ainda mesmo em plena madureza do homem, costuma rir inconscientemente, passando, todavia, em marcha compulsória, na direção dos desencantos naturais, que lhe impõem mais equilibrados pensamentos.
No Evangelho de Jesus, o convite ao bem reveste-se de claridades eternas. Atendendo-o, poderemos seguir ao encontro de Nosso Pai, sem hesitações.
Se o clarim cristão já te alcançou os ouvidos, aceita-lhe as clarinadas sem vacilar.
Não esperes pelo aguilhão da necessidade.
Sob a tormenta, é cada vez mais difícil a visão do porto.
A maioria dos nossos irmãos na Terra caminha para Deus, sob o ultimato das dores, mas não aguardes pelo açoite de sombras, quando podes seguir, calmamente, pelas estradas claras do amor.


Livro: Pão Nosso
Autor: Francisco Candido Xavier
Espírito: Emmanuel
Editora: FEB